A peça teatral de Ariano Suassuna conta a história de um homem avarento que junta dinheiro guardando-o em um cofre no formato de uma porca. Mas isso só fui entender ao final do livro. Imaginei que fosse uma arca ou um baú e que chamava o objeto de porca.
As personagens criadas por Ariano são muito bem estereotipadas e ressalta a característica de cada um: um avarento, o outro malandro, a coroa casadoira, um estudante que fugiu da escola para se casar com a filha do avarento e o fazendeiro rico, além dos empregados querendo dar o golpe no patrão. E ainda tem o Santo Antônio, que tem a devoção do dono da casa, Euricão Árabe.
Em certa altura da peça, encomendam uma porca assada ou cozida para o jantar e ao ouvir a palavra “porca”, Euricão Árabe se desespera e vai ao cemitério enterrar o cofre perto da sepultura da esposa dele: “Prefiro a companhia dos mortos à dos vivos, e ali minha porca ficará em segurança. Com medo dos mortos, os vivos não irão lá e os mortos, ah, os mortos não têm mais sonhos a realizar”.
O empregado, Pinhão, segue o patrão e rouba a porca. Ao final, se vê que o dinheiro guardado perdeu o valor e não servia para mais nada, para desespero do avarento.
Na apresentação do livro O Santo e a Porca (José Olympio Editora/2007), Ariano Suassuna escreve que o fato da desvalorização do dinheiro aconteceu a um tio dele, em circunstâncias parecidas às do Euricão.
Já o meu avô Zizinho tinha umas economias depositadas na Caixa Econômica de Minas Gerais (Minascaixa) e quando ele foi sacar, o dinheiro já não valia nada. Houve mudança da moeda e o banco não atualizou os valores. Ele ficou desolado, pois precisava de um determinado valor para atender a uma emergência. Ficou por isso mesmo. E a Minascaixa foi extinta!


