23 de março de 2020

Recordações de guerra e de viagem: O que li no confinamento

Por José Carlos Sá

O Visconde de Taunay mostra os bastidores da última fase da Guerra do Paraguai (Foto JCarlos)

Terminei de ler o livro (e-book) Recordações de Guerra e Viagem (Edições do Senado Federal/2008) do Visconde de Taunay, de quem eu já li A Retirada de Laguna, em que ele também participou pessoalmente.

Na primeira parte, Taunay conta que retornou à Guerra do Paraguai a convite do príncipe Conde D’Eu, fazendo parte do Estado Maior do novo comandante das forças brasileiras no Paraguai na guerra que estava em seu estágio final.

O imperador D. Pedro II determinou que as tropas só deixassem aquele país depois que o presidente Solano López fosse feito prisioneiro.

Apesar  do autor bajular muito o chefe (Conde D’Eu), ele conta os bastidores das batalhas, algumas sangrentas. Ficamos sabendo também sobre a liberação de prisioneiros que estavam em vários campos de concentração, em sua maioria mulheres e crianças, cujo crime eram serem esposas, filhas ou parentes de inimigos de López, que já haviam sido fuzilados.

Visconde de Taunay assinalado no quadro Batalha de Campo Grande (Edição JCarlos)

Taunay também conta como foi a Batalha de Campo Grande (Batalha de Los Niños ou Acosta Ñu), o último grande combate da guerra. Esta batalha foi retratada por Pedro Américo  em um dos seus quadros considerados “históricos” ou “nacionalistas” – ou outros são Independência ou Morte e Batalha do Avaí -, sendo que o único crítico de artes plásticas que não gostou da pintura foi justamente o Visconde de Taunay, que considerou a obra fantasiosa e exagerada.

Desta batalha participaram muitas crianças “recrutadas” para o Exército Paraguaio, que foram dizimadas pelos brasileiros. O Paraguai adotou a data da batalha, 16 de agosto, como o Dia das Crianças.

Um passeio por dezenas de museus europeus, a descrição de obras de grandes pintores e as características de cada um, é a segunda parte do livro, onde Taunay conta o encontro com o compositor Carlos Gomes em Milão, na época em que o brasileiro estava no auge da fama.

Outro encontro importante de Taunay, desta vez em Paris, foi com Luíza Margarida de Barros Portugal, a condessa de Barral e Pedra Branca, considerada por muitos historiadores como amante de D. Pedro II.

Gostei do livro especialmente pelo detalhamento dos bastidores de uma guerra do século XVIII e o passeio pelos museus europeus.

O livro está neste link aqui.

P.S. O Visconde de Taunay foi deputado federal, senador e presidente (governador) da Província de Santa Catarina, não necessariamente nesta ordem.