Enquanto aguardava que o vendedor concluísse meu atendimento, chegaram ao local pai e filho. O menino, de uns sete anos, foi atraído por um relógio digital dourado, exposto na vitrine.
– Pai, me empresta dinheiro para comprar esse relógio? É só 20 reais…
– Não. Compre com o seu dinheiro.
– Compra pra mim, em casa eu pago você…
– Não. Você não está guardando dinheiro para comprar um fone?
– Compra, pai, é só 20 reais…
E o “convencimento” continuou até a hora em que fui embora. Não sei se o garoto dobrou o pai.
Me lembrei que na década de 1970 comprei (ou ganhei de mãe) um relógio Casio digital, recém lançado e fui estreá-lo na casa da namorada. Como é normal nestas ocasiões, eu olhava a hora a todo momento e passava a mão esquerda nos cabelos, para ajeitá-los.
Lá pelas tantas, a cunhadinha veio me falar: “Zé Carlos, a Magda [minha namorada] diz que quem usa esse relógio é porque não sabe olhar as horas no relógio de ponteiro…
Fiquei desapontado.
Depois, para consertar a situação, disse: “Eu aprendi a olhar horas em relógio com algarismos romanos, tá, papuda?”

