
Monumento em homenagem ao sapateiro, localizado em São João da Madeira – Portugal, é da autoria do escultor Baltazar Oliveira
Ontem fui procurar um sapateiro para colar a sola da bota da Marcela, em um raio de cinco quilômetros, encontrei apenas um. Hoje não há mais solado costurado, é tudo colado e a cola resseca e desprende. Ou seja, estraga se você usar ou não usar.
Relojoeiro também acabou, só sabem trocar pulseira ou bateria.
Se você leva um eletrodoméstico – um ventilador ou liquidificador, por exemplo – para consertar, o cara sugere que você compre outro, pois “não compensa”. Agora, barbeiro tem aos montes. Parece praga. Só em uma rua, de mais ou menos um quilômetro, contei onze!
Hoje, enquanto tomava banho, fiquei pensando na extinção de profissões, lembrei que o meu avô tinha um disco do Jackson do Pandeiro, em que havia um coco que dizia assim: “Todo dia dou um ovo, meu sapato nada/ diz a galinha pro galo toda bronqueada./ Cocoró, corococó,/ diz o galo no terreiro/ Não dei o sapato, nem dou/ Estou cansado de dizer que não sou sapateiro/ Eu não sou sapateiro, não sou sapateiro/ diz o galo prá galinha no ‘mei’ do terreiro.”
Só uma associação de ideias…
