Fiquei sabendo da existência do Raul Seixas no VII Festival Internacional da Canção, em 1972, pelas ondas da TV Globo, cantando Let me sing, let me sing.
No ano seguinte, Raul Seixas lançou o seu primeiro LP, Krigh-ha, Bandolo! A Rádio Cultura de Belo Horizonte avisava aos ouvintes quando haveria lançamentos de discos novos para quem quisesse gravar em casa. Preparei meu gravador National, um fita k-7 virgem e fiquei na frente do rádio esperando a contagem regressiva. Depois de gravados os lados A e B, ouvi toda a fita, me deliciando com Ouro de Tolo, Mosca na Sopa, Metamorfose Ambulante e Al Capone. destas gostei desde a primeira audição.
À noite, levei o gravador para o colégio, para mostrar aos colegas. Na turma havia vários membros do conjunto (hoje se chama banda) do Bairro, o Liverpool. Ouviram a primeira faixa e saíram dizendo “essa música não tá com nada!”. Fique aborrecido. Logo depois Raul se tornou sucesso nacional e lá vieram os meus colegas – que antes desdenharam – pedir emprestado a fita para “tirarem as músicas” para cantarem nas apresentações deles. Eu, mau, não emprestei.
Lembrei dessa história quando a fisioterapeuta colocou a música Let me sig, let me sing para tocar durante a sessão.


