Lamento a morte do ex-governador de Minas Gerais, Hélio Garcia. Assumiu o governo quando Tancredo Neves renunciou para disputar o senado, de onde saiu presidente. Antes, Hélio Garcia foi prefeito nomeado de Belo Horizonte e é lembrado e sua administração elogiada até hoje. Uma grande figura e um grande político
Eu o entrevistei duas vezes para a TV Alterosa. A primeira foi traumática. Como eu não cobria política, sabia “por cima” o que estava acontecendo. Era um sábado e eu fazia uma matéria besta qualquer. Pelo rádio, a redação mandou que eu fosse para o Parque da Gameleira – onde aconteciam as exposições agropecuárias (a Expovel de Beagá), pois o governador estava indo para lá. Comecei a tremer as pernas, pois Hélio Garcia respondia perguntas idiotas com ‘coices’.
Por sorte, encontrei um colega, não recordo o nome dele agora, que era correspondente do Jornal do Brasil*. Pedi uma dica, um assunto, para perguntar ao governador. Ele respondeu que não lhe ocorria nada naquele momento. Uma luz divina, porém, iluminou meu cérebro e lembrei da contenda sobre a aprovação do orçamento, que estava gerando discussão na Assembléia Legislativa.
O governador chegou, desceu do carro, nos cumprimentou, fiz sinal para o cinegrafista ligar a câmera e lasquei a pergunta:
– Governador, como o senhor vê a pressão dos deputados para que o orçamento seja alterado?
Ele olhou para mim, enfiou a mão no bolso do paletó, tirou o maço de cigarros, pescou um, colocou na boca e acendeu (isso tudo olhando fixo para mim e eu esperando um coice com as duas patas, digo, os dois pés).
– No meu dicionário não existe a palavra pressão!
Respondeu e foi embora.
Quando cheguei à tv na segunda-feira à noite, fui cumprimentado pela editora-chefe. A entrevista foi ao ar no Jornal da Alterosa, ao meio-dia e provocou o maior rebuliço na Assembleia.
E eu nem apanhei…

