Com poucas exceções, os nomes escolhidos pelas operações policiais da PF são meio esquisitos. Mas esta deflagrada hoje e que tem como alvo o presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, foi muito apropriada.
Em 63 a.C., o senador Cícero acusou o colega Catilina e o discurso ficou célebre. Alguém da PF batizou a operação que tenta pegar Cunha e aquele discurso parece que foi escrito ontem:
“Até quando, Catilina, abusarás
da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!”

