Lamento a morte do jornalista Antônio “Toniquinho” Alves ocorrida ontem (27) no Rio de Janeiro, onde morava. Nunca trabalhamos juntos, mas mantínhamos relações de amizade e respeito mútuo.
A última vez que nos encontramos foi na esquina das ruas D. Pedro II com Gonçalves Dias. Eu saía da Livraria Paulinas e ele atravessava a rua, vindo da Prefeitura onde trabalhava. Depois dos cumprimentos e dos habituais “por onde você anda?”, Toniquinho se despediu dizendo: “Ainda tenho aquele papel que você assinou”. Respondi: “Guarda, que ainda está valendo”. Nos separamos rindo.
DO PASSADO
A história do papel é a seguinte: Em um sábado, há muitos anos, estávamos no bar do Abdoral Cardoso, que ficava ali na Jorge Teixeira, perto da avenida Tiradentes. Lembro que à mesa estavam a Mara Paraguassu, o Pinheiro de Lima, Toniquinho e eu. A certa altura da conversa, o tema era ética, quando o Antônio disse: “O Zé tem várias sinecuras…” Não deixei ele prosseguir. Peguei um papel e escrevi: “Declaro que todas as sinecuras que eu recebo ou venha a receber serão transferidas ao Antônio Alves. Porto Velho (não sei que dia)”. Assinei e entreguei a ele. O papel nunca pode ser usado porque nunca houve sinecuras, “credenciamentos” por fora ou outra forma de “agrado”, além dos salários que recebi onde trabalhei.
