Na sexta-feira (26) houve uma ação da Polícia Militar para cumprimento de mandato judicial na invasão Dilma Roussef. Os policiais foram garantir a segurança dos operadores dos tratores que iriam demolir as casas cujos moradores já haviam aceito a oferta do Governo e deixado o lugar. Mas alguém disse que a PM foi tirar todo mundo e o pau quebrou. Fizeram trincheiras com pneus e móveis queimados, jogaram pedras e a reação foi aquela que se sabe, balas de borracha e gás lacrimogênio.
Eu assistia um programa jornalístico e depois mudei de canal e vi o mesmo assunto na outra emissora. Na estação “um”, colocaram no ar imagens e sonoras das pessoas na hora em que o confronto era mais acirrado. No canal “dois”, o repórter entra ao vivo do mesmo lugar explicando a ação da PM e que houve conflito, mas as coisas tinham se acalmado. Na edição da tarde, a emissora “um” reprisou os episódios com todo o dramatismo que o diretor do programa entendeu que deveria dar. Na outra TV, a “dois”, a reportagem, diferente daquela da manhã, explorou a “resistência” dos moradores contra aquilo que imaginavam fosse a missão dos policiais. Não foi informado que o serviço de demolição foi concluído sem problemas.
Revendo uma das gravações, dá para notar que a reação das pessoas foi a partir da chegada da Imprensa caripuna, ou seja das equipes dos programas policiais.
Abaixo, a reprodução de um trecho do áudio exibido pela TV “um”, que eu fui anotando na hora:
Repórter: – Aquela casa lá era a sua, vizinha?
Mulher chorando: – Não, mas tá indo chegar na minha…
…
Mulher: – Ozomi tão quebrando. A entrada antiga era entre a nossa casa e a casa abandonada…

