22 de junho de 2015

BUSCANDO RONDON

Por José Carlos Sá

Neste retorno ao Mato Grosso, dei um jeito de incluir no roteiro uma esticada até Santo Antônio de Leverger, na grande Cuiabá, onde li ter havido homenagem ao Marechal Rondon, pela passagem dos 150 anos do nascimento dele, em maio passado. Na cidade houve, também, o lançamento do selo comemorativo, lançado em sextilha, conforme comentei aqui no brog.

Entre Cuiabá e Leverger são 34 quilômetros de estrada boa, porém de pista simples, sem acostamento. Na entrada, um pórtico saudando os visitantes, em nome do filho ilustre.

Pórtico à entrada da cidade

Pórtico à entrada da cidade

Fomos à cata do Memorial Rondon. Havia lido que  o Governo Federal havia construído em homenagem ao herói daquele Brasil que passava da fase rural para a fase urbana e os governantes necessitavam falar com todos os cantos do país, fazendo chegar ali suas decisões. O projeto que eu havia visto ‘interneticamente’ era uma coisa bonita – oca e maloca estilizadas -, aumentando a minha curiosidade. Vendi o sonho para a Mar, que entrou no embalo.

Memorial Rondon (Ilustra Turismo Rural MT)

Memorial Rondon (Ilustra Turismo Rural MT)

Em busca de informações de como chegar ao local, ao primeiro passante, perguntamos:

– Por favor, onde estão os monumentos históricos da cidade?

– No caso, o quê?

– Prédios antigos…

– Ali.

Respondeu apontando vagamente para a outra rua. Fomos até lá e encontramos o “Centro Cultural Cadeia Pública”, mas como era sábado, estava fechado. Resolvemos procurar Rondon. Lembrei que ele havia nascido na localidade de Mimoso, que é um distrito de Leverger. Uma placa apontava para o lugar e pegamos a estrada. Mas resolvemos voltar e perguntar de novo, pois nada nos garantia de que encontraríamos o que procurávamos.

À beira da rua, um menino sentado vendendo peixe (que, aliás, é o forte da cidade; há venda de peixes em todo canto). Mar o abordou:

– Bom dia!

– Piau?

– Hein?

– Piau?

Aí que entendemos. Estava vendendo o peixe dele, literalmente. Rindo, a Marcela fez a pergunta:

– Estamos procurando o monumento ao Rondon, você sabe nos dizer onde é?

Frustrado pela não venda, o menino balançou a cabeça negativamente. Comentei: Ele só deve saber falar “piau?”

Mais na frente, parei em uma loja. Fiz a pergunta à vendedora me olhou como se eu estivesse perguntando o caminho para Marte. Atravessei a rua me dirigindo à um bulixo. A proprietária, que estava sentada na calçada, veio ao meu encontro.

– Ah! É lá no Mimoso! O senhor vai nessa estrada, quando chegar no redondo, vai para a esquerda e continua… São uns 50 quilômetros.

Nas nossa contas foram 73 quilômetros em rodovia asfaltada, também sem acostamento. Vimos garças, tuiuiús, jaburus e uma capivara atravessando a estrada.

Para frustração minha, chegamos à uma obra inacabada. Tive a impressão que estão trabalhando nela, mas que depois que estiver pronta será mais um dos elefantes brancos do Governo Federal. Uma placa anuncia a obra, mas “sem valores ou datas”, observou Mar. Para não ter cobrança, pensei.

Conclusão: Espero que estas construções não tenham a mesma destinação do “Centro Cultural Indígena“, que o Iphan-RO mandou asuzina construir e até hoje órfão de pai e mãe, lá no entorno da Capela de Santo Antônio, em Porto Velho.