Ainda é tempo para que eu manifeste minha tristeza pelo falecimento da dona Adelice. Eu a conheci muito antes de ir trabalhar no Alto Madeira. Qualquer coisa que precisasse, que não fosse ligado à redação, era com ela. Reservar espaço para anúncio ou nota oficial, reclamar exemplar de assinante que não chegou, pedir exemplares atrasados, deixar recado para o seu Euro e para o seu Luiz (era mais seguro que confiar nas secretárias). Ela sempre me tratou como se me conhecesse a vida toda (acho que era assim com todos). Quando fui trabalhar no AM na triste Era Collor, sempre reservava um instantinho para nos ouvir – o Paulinho Correia e eu íamos lamentar juntos – e sempre tinha uma palavra de incentivo: “Isso vai mudar, tenham calma…”
Não sei quando a vi pessoalmente pela última vez (falei por telefone diversas vezes depois). Sei que o jornal ainda não tinha se mudado para a atual sede, com entrada pela avenida Migrantes. Fui à redação, deixei o rilisi e perguntei onde era a sala dela. Bati na porta e segundos depois já a abraçava. Perguntou como eu estava, como estava a família, quem eu apoiava na política e depois desejou saúde.
É essa lembrança que vou guardar da senhora, dona Adelice. O Alto Madeira e todos nós que tivemos o privilégio de conviver com a senhora já estamos sentindo muito a sua falta.
20 de agosto de 2010
