Na minha infância a palavra “miséria” e seus derivados não eram ditas em casa. Os mais velhos a substituiam pela palavra “pelada” e os mais jovens não ousavam dizer nada. Depois é que fui entender a carga semântica que a palavra carrega.
Lembrei disso ao ler nas folhas e saites caripunas sobre o novo foco de descontentamento em Porto Velho, no bairro da Balsa, que é mais um capítulo da história da ponte sobre o Rio Madeira.
Quando cheguei em Porto Velho, nos finais de semana acompanhava o meu colega João Evangelista (onde anda você?) que fotografava tudo. Numa dessas saídas fomos até o bairro da Balsa e perguntei a um dos moradores como era o nome dali. Ele respondeu na bucha: “Olhe em volta. Aqui é a Vila da Miséria!”.
Vôte.
17 de setembro de 2009
