14 de abril de 2008

O Médico e o Minerim

Por José Carlos Sá

O Minerim entrou no consultório e foi falando assim meio sem jeito:
– Doutor, o negócio num sobe mais. Já tumei de tudo quanto foi chá de pranta, e num sobe mai memo.
– Não se preocupe. Vou te passar um medicamento que não falha. São cinquenta comprimidos, um por dia. Quando acabar, volte aqui pra eu examinar, mas você já deverá estar curado.
– Mai doutô, eu sô um ómi simpres, da roça. Só sei contá inté deiz nos dedo e mai nada…
– Então compre um caderno de cinquenta folhas. Cada comprimido que tomar, você arranca uma folha. Quando o caderno acabar estará na hora de voltar aqui.
No caminho de volta, o minerim passou em frente a uma papelaria e resolveu comprar ali mesmo seu caderno. Ele entrou, foi até a balconista e pediu:
– Eu queria um caderno de cinquenta fôia.
– É brochura?
– Ô médico fd
p. Já andou espaiando meu pobrema por aí…
(Colaboração do Lúcio Barros, de Belzonte)

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