A leitura deste livro começou com a sensação de que eu não iria muito longe. Achei a história tão monótona quanto uma pescaria.
Apesar de preguiçoso, nunca me acostumei com a atividade de ficar ali, à beira d’água, esperando a boa vontade do peixe. Não tenho paciência para isso.
E, lendo O Velho e o Mar, senti-me exatamente assim: parado em um barranco, com uma vara de pesca na mão, enquanto os peixes, nem tchum.
Já tinha decidido deixar o livro de lado quando a história me fisgou. O anzol me prendeu de tal forma que acompanhei a saga do velho Santiago até o fim.
Foi minha primeira, e tardia, experiência com Ernest Hemingway, de quem conhecia a história e a fama de grande repórter e escritor.
Quando tive de ler esse livro compulsoriamente, na 8ª série, minha mãe não tinha dinheiro para comprá-lo e não havia exemplar na biblioteca da escola.
Valeu a pena esperar tanto tempo. A saga de Santiago contra o espadarte é uma metáfora muito bem construída sobre a nossa própria vida: uma luta contra tudo e contra nós mesmos, sem vencedores.
Recomendo, ainda que tardiamente.
SERVIÇO
O quê: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil
Onde encontrar: Nas boas casas do ramo
[Resenha XXX/2029]

