28 de outubro de 2026

A revolução dos anciãos

Por José Carlos Sá

Fiquei impressionado e emocionado com os velhinhos indo votar (Imagem gerada por IA Gemini/Prompt IAgo Copilot)

De toda a minha vida de participação em eleições, este ano de 2026 foi aquele em que fiquei mais apático e até refratário ao assunto. Ouvi opiniões sem opinar, até porque eu não tinha nenhuma opinião, e vi o que estava se desenrolando sem participar nem me interessar.

Também decidi, há muitos meses, que não iria votar, usando as prerrogativas concedidas pela Constituição a quem tem mais de 70 anos e está dispensado desse dever cívico.

Esse estado de letargia durou até uma semana antes do pleito. Posso ter um monte de defeitos, mas nunca quis ser, nem sou, omisso. Procurei fazer a minha triagem dos candidatos pelo princípio da exclusão. Ao final, restaram seis candidatos de centro-esquerda, classificação feita segundo os meus próprios critérios.

Votei no primeiro turno e me dei por satisfeito. À medida que a data da etapa decisiva se aproximava, entendi que precisava voltar à minha futura ex-seção eleitoral. Um dos motivos era a gratidão; o outro, novamente, era não ficar omisso.

Votamos cedo e, de volta para casa, me desliguei das eleições, apesar de a Marcela comentar o que estava acontecendo “lá fora”.

Um dos episódios que ela me contou foi sobre amigos que levaram a avó para votar contra a vontade da filha, que não queria que a mãe votasse no adversário de seu candidato. Foi montada uma verdadeira operação de sequestro, parecida com aquela que capturou Nicolás Maduro na Venezuela.

Gostei da história e, na segunda-feira, já no rescaldo das eleições, começaram a surgir outras histórias, além de muitas fotos e vídeos vindos de todo o Brasil, mostrando pessoas bastante idosas indo votar.

Era velhinho andando aprumado, com roupa bonita e sorriso nos lábios, mas também gente de bengala, com andador, em cadeira de rodas, nos braços de amigos e parentes, carregando aparelhos portáteis de oxigênio e até sendo levada em uma cama hospitalar. Chorei de emoção ao ver aquelas cenas.

Por isso, peguei emprestado do escritor inglês George Orwell o título de sua fábula mais famosa, A Revolução dos Bichos, para comentar o único fato que me emocionou nestas eleições: a participação massiva e consciente das pessoas idosas.

Foi um dia para ficar na história do país. Na minha história pessoal, já está marcado como a cicatriz de uma tatuagem.

[Crônica CCXXXVIII/2026]

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A revolução dos bichos Eleições 2026 George Orwell Marcela Ximenes 

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