
Seria Jesus Cristo do signo de capricórnio? (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Edição IA Nano Banana/BN JCarlos)
A conversa mais sem futuro que ouvi numa aula de Pilates começou quando alguém afirmou que os nascidos sob o signo de Capricórnio, entre eles ela mesma, eram gente boa. Das seis pessoas presentes, 50% pertenciam ao signo, o que provocou aplausos e protestos.
Como eu, apesar de saber que sou capricorniano, não entendo absolutamente nada de horóscopo, fiquei calado, apenas ouvindo os argumentos em defesa da teoria do tutti buona gente, como dizia a professora.
Segundo ela, os capricornianos são determinados, responsáveis, econômicos, sensíveis e leais, além de cumprirem à risca tudo o que combinam. Para arrematar a tese, resolveu citar um exemplo acima de qualquer suspeita: Jesus Cristo.
Diante dos murmúrios de espanto, a argumentadora lembrou que Jesus nasceu em 25 de dezembro, sob o signo de Capricórnio, no primeiro decanato, sob a regência de Saturno. Pegou o celular e leu algo que provavelmente já tinha salvo: “Disciplina, ambição, responsabilidade, praticidade e foco em objetivos”. E concluiu: “Tudo isso Jesus tinha!”.
A aula terminou, e não tive tempo de contestar. Sei que não existe prova de que Jesus tenha nascido em 25 de dezembro. A data foi adotada pela Igreja para coincidir com uma festividade pagã do Império Romano, a Saturnália, celebrada em agradecimento às colheitas. O nascimento de Cristo, na verdade, continua envolto em controvérsias.
Chegando em casa, com o assunto ainda queimando meus neurônios, recorri à minha IA predileta:
“Se Jesus Cristo tivesse realmente nascido em 25 de dezembro, teria as características que o senso comum atribui aos nascidos sob o signo de Capricórnio?”
A resposta foi, literalmente:
“Analisar a figura histórica e teológica de Jesus Cristo sob a ótica do senso comum astrológico é um exercício puramente hipotético e cultural, já que não se pode afirmar que Jesus era um capricorniano típico. (…)
Onde Jesus se afasta totalmente do perfil capricorniano: aversão ao acúmulo e ao materialismo; rejeição da rigidez normativa, já que foi um revolucionário espiritual que desafiou os líderes religiosos de sua época, subverteu tradições e colocou o amor acima da burocracia religiosa; além da demonstração aberta de vulnerabilidade. Enquanto o capricorniano médio tende a ser reservado, prático e, por vezes, visto como frio, Jesus é descrito nos Evangelhos como alguém profundamente emocional: chorou publicamente pela morte de Lázaro, sentiu profunda angústia no Getsêmani e agia movido por uma compaixão visceral.”
Mas a assistente virtual também encontrou alguns pontos de contato, ainda que superficiais:
“Senso de missão e disciplina; e o arquétipo do construtor. Antes de seu ministério, Jesus trabalhou como artesão ou carpinteiro (tektōn), uma profissão prática, manual e ligada à transformação da matéria bruta, algo bastante alinhado aos signos de Terra.”
E concluiu:
“Pelos textos evangélicos, a personalidade de Jesus transcende os limites de um único signo do zodíaco. Seus ensinamentos sobre amor incondicional, sacrifício e transcendência espiritual costumam ser associados pela astrologia popular mais a signos de água, como Peixes, ou de ar, como Aquário, do que ao pragmatismo material atribuído a Capricórnio.”
Eu não disse que era um assunto sem futuro?
[Crônica CCXXVIII/2026]
