
O Ceifador sempre aguarda a hora certa de buscar os clientes (Imagem criada pelo ChatGPT/Promot JCarlos)
Existe uma crença popular muito difundida, e quase aceita como verdade absoluta, de que não morremos enquanto não chega a hora previamente marcada por Deus ou por algum poder superior, também chamado de destino, e que essa determinação não pode ser alterada pelos humanos.
Já ouvi dezenas de relatos de pessoas que tentaram tirar a própria vida e não conseguiram. Uns agradecem; outros culpam Deus pela continuação dos infortúnios dos quais queriam se livrar pelo meio que julgavam mais conveniente.
Fiquei pensando nesse assunto ao ler uma reportagem atualizando informações sobre a condenada à morte no estado norte-americano do Tennessee, Christa Pike, que sobreviveu a duas injeções de pentobarbital, quando uma única dose já é considerada altamente letal.
Segundo a agência internacional de notícias Associated Press (AP), a (ex?) condenada acordou seis dias depois da frustrada execução, “confusa e furiosa”. Christa Pike recuperou a consciência quando os médicos já se preparavam para lhe retirar o suporte de vida.
Ela continua hospitalizada, com graves complicações. Ao acordar, teria dito: “Onde estou?” e “Quem é você?”, talvez sem saber se estava morta e se já havia chegado ao Primeiro Anel do Sétimo Círculo do Inferno, para onde o poeta Dante Alighieri dizia estarem destinados aqueles que cometeram violência contra outras pessoas.
E aí chego a um ponto de reflexão, ou de inflexão, não sei.
Se o povo diz que não se morre enquanto não chega a nossa hora, então seria correto repetir o velho refrão latino: Vox populi, vox Dei?
Ou será o contrário?
[Crônica CCXXII/2026]
