
A “santa” padroeira do templo do consumo (Imagem criada em esforço coletivo IAs Gemini, Google, Copilot/Prompt e edição BN JCarlos)
Como já contei mais de uma vez aqui, por saberem que sou católico praticante, vez ou outra me consultam sobre os mais variados temas religiosos, alguns até fora da minha crença. A maior parte eu respondo na hora; outros, pesquiso ou pergunto a quem entende e levo a resposta depois.
Na última indagação, queriam saber “que igreja é aquela que tem uma santa ‘eeenooormeee’ na frente e que, à noite, fica iluminada”. Perguntei em que cidade ficava e fui informado de que era em São José.
Pensei bastante e fui citando as igrejas de que me lembrava ter imagens do lado de fora. Falei da igreja de Santo Antônio, conhecida como “igreja redonda”, em Campinas, mas é um santo; da Nossa Senhora Aparecida, em Barreiros (“A imagem da santa é pequena”); da Igreja de Nossa Senhora das Graças, em Potecas (“Também não”); e aí se esgotou o meu conhecimento.
A Igreja Católica reconhece oficialmente 2.762 santos, sendo cerca de 180 grandes santos universais reverenciados em todo o mundo, além de milhares de mártires.
Entre os populares, aqueles que o povo considera realizadores de milagres, embora não oficialmente reconhecidos, temos o Padre Cícero, no Nordeste brasileiro; São Morte (San La Muerte), venerado no Paraguai, na Argentina e no Sul do Brasil, desse eu ainda não tinha ouvido falar; e a Escrava Anastácia, cultuada no Rio de Janeiro e em outras regiões, entre elas Minas Gerais.
Temos santos e figuras assemelhadas nas igrejas Ortodoxa, Anglicana e Luterana (sem veneração), assim como nas religiões de matriz africana, umbanda e candomblé, além do budismo, hinduísmo, judaísmo e islamismo.
Pedi uma pista, uma referência, mas a pessoa disse que passava por lá à noite e não se lembrava de nenhuma indicação, apenas do tamanho da imagem. Eu já estava me sentindo um inútil, um desinformado, quando uma colega, que ouviu a conversa e percebeu meu desespero por não conseguir indicar a igreja procurada, respondeu, rindo:
– Zé, ela está se referindo à loja da Havan!
[Crônica CCXIII/2026]
