24 de setembro de 2026

Entre o crime e o imaginário – A resenha de hoje

Por José Carlos Sá

Uma coletânea de vinte e seis histórias de crimes e não-crimes (Reprodução)

Não sei qual foi a motivação para comprar esse livro, já que há muito não lia histórias policiais e por sempre ter preferido os grandes mestres do gênero, que já citei diversas vezes nos meus textos: Raymond Chandler, Dashiell Hammett, Edgar Allan Poe, Arthur Conan Doyle e Agatha Christie. Ou seja, a minha régua é mais alta.

Mas não me decepcionei. Crimes (extra) Ordinários – Contos Policiais, antologia lançada pelo Coletivo Literário Aspas Duplas (Osasco – SP, 2026), reúne 26 autores de estilos diversos, que narram — uns melhor que outros — crimes que poderiam ter acontecido ou que surgem apenas na imaginação das personagens.

O conto de abertura, Doze andares, escrito pelo organizador da coletânea, é muito bom. Trata-se de uma vingança narrada sob o ponto de vista do assassino, que tudo controla e tudo vê, e cujos crimes permanecem impunes, já que o criminoso está acima de qualquer suspeita. Uma boa sacada do professor e escritor Rafael Caputo.

Outro conto que me prendeu a atenção foi A sombra, do músico e escritor gaúcho Ricardo Pegorini. O título já entrega quem é o protagonista da trama psicológica que quase enlouquece o seu “dono”. Escrevi a palavra “dono”, mas não sei como definir nossa relação com a própria sombra.

Enquanto lia os ardis que a sombra usava para alucinar ainda mais sua vítima, lembrei de uma passagem de um dos volumes do Sítio do Pica-pau Amarelo, do genial Monteiro Lobato. Pedrinho, Narizinho e Emília ouviam a história de Peter Pan, quando ele perdeu a sombra. A boneca de pano resolveu, então, cortar e esconder a sombra da Tia Nastácia — não me lembro mais porquê. Foi o Visconde de Sabugosa quem desvendou o “crime” e devolveu a sombra à sua dona (o “dono”, de novo).

Também li com atenção o conto O salto de Hermes, do escritor João Gomes, membro da Academia de Letras de Rondônia. É uma história policial ambientada em um futuro indeterminado, em que a Inteligência Artificial — chamada metaforicamente de “Sistema de Gestão de Bem-Estar Ambiental” — toma decisões que acabam mal interpretadas. Muito interessante.

Recomendo o livro para um momento de descompressão cerebral, que no meu caso funcionou como um relax depois de algumas semanas de pesquisa sobre personagens de um passado distante.

O livro está à venda no site da editora, por R$ 56,16 na versão impressa. O link é este: https://clubedeautores.com.br/livro/crimes-extraordinarios

[Resenha XXIV/2026]

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Coletivo Literário Aspas Duplas Contos Crimes João Gomes Polícia 

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