29 de julho de 2009

CADEIRINHA DA FRENTE

Por José Carlos Sá

Num ‘post’ anterior fiz referência à “cadeirinha da frente”. Na minha infância, em Belzonte, os coletivos tinham cadeiras individuais, ao lado do motorista, tendo o motor do veículo a separá-los. Os meninos tinham uma atração especial por este lugar, que era chamado de “cadeirinha dos bobos”, pelo perigo de ferimentos em caso de acidente.
Uma época, a Prefeitura destinou a tal “cadeirinha”, preferencialmente aos idosos e o lugar passou a ser designado como “cadeirinha dos véio”.
Lembro de uma ocasião, sai com o meu Bruno, que devia ter uns 5 ou 6 anos. Passamos a roleta e ele foi direto para a cadeirinha. Chamei-o para perto de mim e disse baixinho: “Ali é a cadeira dos bobos, fique aqui com o papai…” Ele obedeceu, mas ficou de olho no lugar almejado. Daí a pouco um homem sentou-se lá e o Bruno, perguntou em voz alta, para deleite dos passageiros que estavam próximos a nós: – Pai, aquele homem é bobo?
Não respondi, mas acho que era.

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