08 de agosto de 2026

Cães de lata, cães de alma

Por José Carlos Sá

As diferenças entre o Argos e o Argus são sutis (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot / Prompt JCarlos)

O jornal Globo de sexta-feira noticia que a empresa chinesa Chery vai comercializar no Brasil o robô humanoide Mornine e o ciber-cão AiMOGA Argos

O primeiro é destinado a trabalhar nas concessionárias da marca Omoda & Jaecoo, onde vai “conversar com clientes, apresentar recursos dos carros e encaminhar o atendimento a vendedores, além de caminhar, cumprimentar visitantes e até dançar”.

O  cão Argos, segundo a reportagem, será vendido diretamente ao público. Ele funciona sem conexão com a internet e executa comandos como correr, sentar e dar a patinha.

O uso de cães-robôs já está se disseminando pelo mundo – inclusive no Brasil – exercendo diversas atividades, do tipo desarmar bombas e abordar suspeitos, como os cães-robôs das polícias das cidades norte-americanas de Nova York, Los Angeles, Denver, Houston e Las Vegas.

Na China, o uso de cães-robô, me informa uma pesquisa no Google, é indiscriminado, indo do lazer (“animal” de estimação) até “operações militares avançadas”. Procurando uma foto para ver as tais operações, encontrei um cachorro-cyborg com uma metralhadora instalada no lombo…

Por enquanto no Brasil, encontrei os cãezinhos de lata trabalhando no serviço público, como na Petrobrás, na Prefeitura de Cuiabá, na Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e na Sabesp, inspecionando as redes pluviais. 

Mas voltemos ao Argos, que está aguardando apenas a chancela da Anatel para ser colocado no mercado. Os interessados em “adotar” o bichinho de estimação terão que desembolsar cerca de R$24.384, na cotação do dólar hoje. O brinquedo tem autonomia de duas horas de funcionamento e depois precisa ser recarregado.

É claro que ao ler sobre um robô-cachorro com o nome de Argos, eu tenho, obrigatoriamente, de pensar no cachorrinho daqui de casa, o Argus Máximus. A semelhança é só nos nomes.

Aposto com vocês que o Argos cibernético não ladra para as visitas e depois pula no colo delas implorando carinho. Também acredito que ele – o robô – não fica andando atrás de você resmungando quando está chegando a hora das refeições e nem fica olhando para a porta da rua quando quer sair para fazer as necessidades, muito menos olha para quem estiver comendo qualquer coisa, com olhos de coitado.

Nada disso o Argos faz. Aposto que ele não recebe o tutor, quando este se ausenta por apenas cinco minutos, balançando o rabo e oferecendo a cabeça para um cafuné. Até porque o Argos nem rabo tem.

[Crônica XCIX/2026]

Tags

Argos Argus Maximus Cão-robô Chery Cyborg 

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