Entre todas as músicas que conheço, de autoria do compositor Angenor de Oliveira, o querido mestre Cartola, a que mais me encanta é “As rosas não falam”, que descobri na voz de Beth Carvalho, em 1976.
Pesquisando a data de gravação, para não errar na referência, soube que essa música já foi regravada 246 vezes e é a que mais arrecada direitos autorais para os herdeiros do compositor. Um sinal claro de que é boa.
Além da letra inspirada, li em uma entrevista que Cartola se inspirou na mania da esposa, Zica, de conversar com as rosas do quintal. Há também outra versão: Zica teria plantado mudas de rosas e, poucos dias depois, as flores já estavam desabrochando. Ela perguntou a Cartola:
— Por que as roseiras floriram?
E ele respondeu:
— Não sei, Zica, as rosas não falam…
Seja qual for a história verdadeira, eu sempre lembrava da minha mãe ao ouvir a música, pois ela conversava não apenas com as roseiras, mas com todas as flores do jardim da nossa casa, lá em Bernardo Monteiro.
Há poucos dias li que o então produtor de Roberto Carlos, Luiz Carlos Miele, estava com tudo pronto para que o Rei gravasse “As rosas não falam”. A base sonora já estava gravada, faltava apenas a voz. No dia agendado, Miele foi chamar Roberto Carlos e ouviu a negativa:
— Olha, bicho, não vou gravar, porque as rosas falam!
Sem argumentos, Miele saiu do camarim para comunicar a decisão à equipe técnica. Ao se retirar, Roberto Carlos o chamou e completou:
— Bicho, as rosas te perdoaram… E eu também perdoei…
Seria o caso de dizer: “Cada doido com sua mania”. Mas a minha mãe não era doida. Ou era?
[Crônica XCVI/2026]

