17 de julho de 2026

Entre vozes e memórias manezinhas – A resenha de hoje

Por José Carlos Sá

Capa do e-book Em terras manezinhas (Reprodução)

Foi com surpresa que recebi, via Instagram, em janeiro do ano passado, um pedido de autorização para uso de algumas fotos que publiquei no Banzeiros. O pedido vinha da jornalista e linguista Daise Ribeiro, que preparava um livro sobre os manezinhos, apoiado pelo Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina.

Uma das fotos reproduzidas no livro. Legenda original: Casarão da Família Ventura – Rua Lauro Linhares – Bairro Trindade – “Não existe mais” (Foto JCarlos 29042023))

Autorizei a reprodução e, há pouco menos de um mês, recebi o convite para o lançamento de “Em terras manezinhas: Aspectos culturais e sociolinguísticos”, organizado por Izabel Christine Seara, Lurdes de Castro Moutinho e Valter Pereira Romano (Pedro e João Editores, São Carlos – SP, 2026). Não consegui ir prestigiar e conhecer os autores.

A obra reúne nove artigos acadêmicos que analisam o jeito de falar e viver do nativo da Ilha de Santa Catarina, o carinhosamente chamado “manezinho”. Os pesquisadores estudam sotaque, pronúncia e até a velocidade da fala dos florianopolitanos, comparando com os falares dos açorianos que colonizaram a região no século XVIII.

Entre os estudos linguísticos, dois artistas manezinhos foram destacados: Valdir Agostinho, multiartista e compositor, conhecido pelas pandorgas e fantasias de carnaval feitas de sucata, e Oraldo Ventura, açougueiro aposentado e artesão de maquetes de casarões, igrejas e engenhos, criadas a partir da memória afetiva. Por coincidência, conheço ambos.

Jairo (esq) e Oraldo, tocando na casa dos amigos Osmarina e Paulo Villalva (Arquivo JCarlos/04012026)

Foi justamente pelas fotos das maquetes de Oraldo, publicadas no Banzeiros em abril de 2023, que Daise Ribeiro chegou até mim. E aqui cabe um parêntese: quando a Marcela diz que sou distraído, tenho de concordar. Para escrever sobre a mostra na Galeria do Mercado Público, pesquisei, conversei com o filho de Oraldo e até encontrei uma foto dele tocando gaita no 23º Encontro de Terno de Reis, em janeiro de 2023. Mas, meses depois, ao encontrá-lo novamente em uma apresentação de terno de reis na casa dos amigos Osmarina e Paulo Villava, não me lembrei das maquetes. Perdi a chance de dizer pessoalmente o quanto admiro seu trabalho.

Serviço

  • O quê: Livro Em terras manezinhas: Aspectos culturais e sociolinguísticos
  • Autores: Izabel Christine Seara, Lurdes de Castro Moutinho e Valter Pereira Romano (orgs.)
  • Editora: Pedro e João Editores

[Resenha XVII/2026]

Tags

Daise Ribeiro Manézinho Oraldo Ventura Terno de Reis 

Compartilhar

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*