Nunca li os livros do psicanalista austríaco Sigmund Freud, mas indiretamente conheço muitas de suas teorias — entre elas, aquelas sobre os nossos sonhos.
Pedi ao meu assistente de IA favorito que resumisse a teoria freudiana, e ele respondeu que Freud via os sonhos como a “via régia” para o inconsciente: realizações disfarçadas de desejos reprimidos, transformados por mecanismos psíquicos em narrativas aparentemente absurdas.
Minha curiosidade nasce de um fato: tenho sonhos recorrentes com colegas de trabalho que encontrei ao longo de quase cinquenta anos de atividades laborais, nos diversos lugares por onde passei — Correios, Aeronáutica, Carrefour, Prefeitura de Contagem, Rede Ferroviária, Rádio Itatiaia, Rádio Guarani, TV Alterosa, Governo de Rondônia, FIERO, Câmara dos Deputados, Furnas, Odebrecht, Hidrelétrica Santo Antônio, além dos conhecimentos que fiz nas atividades sociais.
Esses colegas aparecem misturados, em cenários diferentes daqueles em que os conheci. Nos sonhos, ora estou fazendo reportagens, ora acompanhando visitantes nas obras da usina do rio Madeira. Em outros momentos, gerencio crises ou redijo textos para os quais não encontro nem as informações necessárias, nem a palavra adequada para expressar uma ideia.
Muitas vezes esses sonhos são opressivos, cheios de urgência, e acordo com a sensação de que preciso realizar algo imediatamente.
Já me aposentei há sete anos e, no entanto, pergunto: será que não vou conseguir relaxar e me libertar dessa necessidade de ter a rotina do ex-emprego?
O que você acha, Dr. Freud?
[Crônica LXXX/2026]

