A história surgiu em uma localidade próxima a Joinville (SC) e logo ganhou espaço nos veículos nacionais: uma mulher de 37 anos, fingindo ser uma menina de 12 anos, foi amparada por uma família e recebeu toda a atenção possível — até festa de aniversário organizada para ela.
Uma tia desconfiada descobriu a farsa e contou ao pai, que, pesaroso, chamou a polícia. Ao puxar a ficha da “criança”, vieram à tona registros de golpes semelhantes em outros estados, além de mandado de prisão em aberto.
Segundo relatos, a mulher afinava a voz, fazia birra, tomava leite na mamadeira e usava chupeta. Em sua defesa, dizia apenas querer “um lugar para comer e dormir”.
É difícil acreditar que teria sucesso sem recorrer à chantagem emocional. Mas ao afirmar que fora abusada pelo pai, que fugiu para não se prostituir e que tinha autismo e disfunção hormonal, conseguiu despertar a compaixão. Assim, recebia abrigo, comida e, no caso do casal catarinense, até festa de aniversário.
Pesquisando casos semelhantes, encontrei a história de uma ucraniana que aparentava ter seis anos devido a um raro distúrbio de crescimento ósseo, mas era adulta, com mais de 20 anos. Adotada por um casal norte-americano, transformou a vida deles em tormento. O episódio virou uma série documental.
Também me deparei com a trama que inspirou o filme A órfã (Warner Bros, 2009), em que a “criança” era, na verdade, uma adulta e serial killer.
Parei por aí.
Mas me veio à memória uma anedota — no estilo 5ª série — que ouvi há muitos anos:
Duas mulheres conversavam na sala, quando apareceu o filho da dona da casa:
— Mamãe, quero fazer pipi!
— Vá ao banheiro, meu filho. Não vê que temos visita?
— Pode ir, amiga, atender seu filho — disse a visitante.
— Não precisa, ele sabe ir sozinho.
— Mamãe, quero fazer pipi e tenho medo de ir sozinho…
— Deixa que eu levo ele.
— Ele está com manha, não precisa.
A amiga, porém, levantou-se, deu a mão ao menino e o levou ao banheiro. Ao voltar, estava sem jeito, ruborizada:
— O seu garoto é desenvolvido, hein? Quantos anos ele tem mesmo?
—Garoto? Esse safado aí tem 18 anos, sofre de nanismo…
— …
[Crônica CXVI/2026]

