
Assistimos ao Spider-Noir quase em ritmo de maratona (Imagem gerada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Não sou especialista no Homem‑Aranha; apenas gosto do personagem. É mais uma convergência de simpatias entre mim e a Marcela. O outro gosto em comum é o Djavan. Discordamos, porém, quando o assunto é o Homem de Ferro e o ator Robert Downey Jr. Tenho antipatia pelos dois — ator, super‑herói e, pior ainda, quando os dois se fundem num só. Mas isso é outra história.
Assistimos, quase em modo maratona, à série Spider‑Noir, lançada há poucos dias pela Prime Video. Vimos um herói aposentado e decadente, mas ficamos presos à teia bem armada e ambientada na época da decadência norte-americana, ainda sob a vigência da hipócrita “Lei Seca” (1920‑1933).
Chamei de hipócrita porque, ao longo dos oito episódios, as personagens principais aparecem bebendo — e o Ben Reilly/Spider toma vários porres, cada um por um motivo diferente.
Também há políticos corruptos, policiais desonestos e editores de jornal venais. Ainda bem que é ficção; se existisse isso na vida real, estaríamos muito mal servidos.
Uma coisa que não entendi: nos primeiros episódios, o vilão é chamado de Cabelo de Prata, mas depois vira Silvermane. Dá na mesma, mas é curioso. A “mocinha” da história, a cantora Cat Hardy — aparentemente namorada do chefão — escangalha o coração do Spider, gosta do Areia, mas depende financeiramente do gangster.
Merece destaque o ator Nicolas Cage, sobre o qual confesso que fiquei com um pé atrás ao saber que ele seria o Aranha. Sou traumatizado com “O Senhor das Armas”, estrelado por ele, filme que detestei. Cage interpreta um Homem-Aranha soturno, alcoólatra e deprimido.
O detetive que ele encarna, quando o Spider não está por perto, poderia ser um personagem dos grandes escritores de romances policiais daquela época, como Raymond Chandler ou Dashiell Hammett, investigadores que não obedecem à lei e à suposta ética da profissão.
A depressão melancólica, a falta de perspectiva e de dinheiro dão ao seriado o clima noir do título. Os cenários chuvosos, os bandidos sem escrúpulos e a mulher que ajuda e atrapalha ao mesmo tempo funcionam muito bem para segurar o espectador — até aquele (eu) que não tem muita paciência para seguir uma série. Já deixei algumas pela metade, ou no segundo episódio.
Recomendo Spider‑Noir, com louvor.
[Resenha XII/2026]

