
O segurança interceptou um ovo que tinha como destino a cabeça do governador (Imagem gerada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Os ânimos estavam exaltados naquele fim de semana em duas cidades do chamado “Cone Sul” de Rondônia.
Em Colorado do Oeste, o deputado estadual — considerado o “dono” do reduto eleitoral da região — teve uma reivindicação recusada pelo governador. A recusa o deixou tão furioso que acabou passando mal, precisando ser levado ao hospital e medicado.
Não se sabe se por ordem direta do parlamentar ou por iniciativa própria, seus assessores decidiram “vingar” o chefe. Contrataram cabos eleitorais para hostilizar o governador, que participaria de um comício em Cerejeiras, em apoio ao candidato da situação. A movimentação foi percebida pelo serviço reservado da Polícia Militar, que alertou a equipe de segurança do governador.
Durante o dia, a agenda oficial seguiu normalmente: visitas a obras do governo estadual, inaugurações e reuniões com lideranças comunitárias, prefeito e vereadores. À noite, o chefe da segurança foi até o hotel onde estavam hospedados imprensa e cerimonial para avisar que não deveríamos sair, pois o clima na cidade era tenso. Argumentei que gostava de comícios, mas ele foi categórico: não se responsabilizaria pela minha segurança. Resolvi obedecer e fui dormir cedo.
Na manhã seguinte, soubemos que partidários do deputado “ultrajado” haviam levado sacolas de supermercado cheias de ovos para jogar nas autoridades assim que o comício começasse. Policiais militares à paisana infiltraram-se na multidão e começaram a chutar as sacolas, tentando neutralizar a ameaça.
Apesar da ação preventiva, alguns ovos ainda foram lançados contra o governador. Conta-se que o ajudante de ordens conseguiu interceptar, com a mão, pelo menos três deles, evitando que atingissem a cabeça governamental.
No fim, o comício transcorreu sem maiores incidentes. A maioria das pessoas que foi ouvir as promessas dos políticos voltou para casa sem imaginar que havia um plano para transformar o governador em uma grande omelete.
[Crônica CX/2026 – Reedição do texto “Do Passado”, publicado no blog Banzeiros em 29/10/2014]
