O amigo Edson Batista enviou mensagem lembrando que, no dia 24 de abril, foi comemorada uma data curiosa e importante para toda a humanidade: o Dia do Zíper. Nessa data nasceu Gideon Sundbäck, engenheiro sueco-americano que aperfeiçoou e patenteou o zíper moderno em 1913.
O que seria da nossa vida sem esse acessório fundamental, que conheci na infância como fecheclér (do francês fermeture Éclair)? Mochilas e bolsas ficariam sempre abertas, botas continuariam difíceis de calçar, e os botões reinariam soberanos nos suéteres, agasalhos de inverno e até nas braguilhas.
Foi justamente pensando na aplicação do zíper nas braguilhas que me veio à memória um incidente doloroso da adolescência.
Voltava da casa da namorada, depois de alguns copos de cerveja com o sogro. Por vergonha, não pedi para usar o banheiro, calculando que conseguiria chegar em casa — cerca de dois quilômetros de distância.
Mas a natureza foi mais forte e me obrigou a procurar um pé de manga para aliviar a bexiga. Foi uma decisão extrema, já que desde pequeno eu me recusava a fazer pipi na rua.
Estava quase terminando quando ouvi vozes femininas se aproximando e prestes a virar a esquina. Apressado, fechei o zíper antes da hora e a pele do dito cujo ficou presa entre os dentes do fecho.
Ô dor miserável. Caminhei até em casa com passos miúdos, o pinto preso, e lá enfrentei outra tortura para abrir o fecho novamente.
Por sorte, ficaram apenas escoriações, sem comprometer o funcionamento do órgão.
Mas ficou a lição: sempre que contrariei minhas convicções, me dei mal.
[Crônica XCVII/2026]

