
Os pombos desafiaram os métodos ortodoxos e tecnológicos (Imagem criada por IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Quando assessorava o Sistema Indústria (Fiero/Sesi/Senai/IEL), eu costumava acompanhar as visitas e reuniões realizadas em Vilhena.
Em uma dessas estadas, encontrei o professor Vaganeide, responsável pela escola do Senai, às voltas com um problema curioso e persistente: um bando de pombos havia escolhido se instalar justamente no galpão destinado às aulas de marcenaria.
Toda manhã, antes do início das atividades, professores e alunos gastavam pelo menos meia hora limpando a sujeira das máquinas e do chão.
Tentativas não faltaram. Colocaram telas entre o telhado e as paredes, mas não funcionou. Soltavam bombinhas juninas, os pombos se assustavam, mas logo voltavam. O detalhe engraçado é que as aves não incomodavam os outros ambientes — a oficina de mecânica, por exemplo, permanecia impecável.
Convencido de que se tratava de uma perseguição pessoal, o Vaganeide chegou a cogitar envenenar os pombos. A ideia, porém, foi prontamente rejeitada pela gerente do CAT (Centro de Atividades do Trabalhador Sesi/Senai).
Dias depois, ao folhear a revista Globo Rural, deparei-me com um anúncio de um aparelho que emitia ondas subsônicas, prometendo espantar aves sem feri-las. Recortei o anúncio e enviei ao professor, que me telefonou agradecido, dizendo já ter encomendado o equipamento.
Mas o problema persistiu. A solução definitiva veio com o chamado “controle biológico”: três gatos foram levados para morar no galpão do Senai.
[Crônica XC/2026 – Originalmente dublada no Jornal do Cool do Mundo – Edição 23, de 19/04/2026]
