Estava no ponto de ônibus quando duas motos viraram a esquina, lado a lado, em baixa velocidade. As condutoras vinham conversando em voz alta, mas só mais perto foi possível perceber que eram mulheres — e que estavam discutindo. Uma delas levava uma carona na garupa.
— Você viu o que fez? — disse uma, quando passavam em frente à parada.
Não entendi a resposta, apenas o final da frase: “…ariu!”
A carona então empurrou a outra moto com o pé, fazendo a piloto perder o equilíbrio. Enquanto uma se esforçava para não cair, a outra acelerou e foi embora, sendo perseguida em seguida.
A mulher que estava ao meu lado, também observando a cena, comentou:
— Sabe o que é isso, bobo? Uma mulher tomou o marido da outra. Agora estão brigando por homem.
— Me pareceu problema de trânsito…
— Né não. É briga por homem.
— A senhora conhece elas, então?
— Não conheço, não. Moro em outro bairro. Mas tenho certeza, bobo…
É assim que começam as guerras.
[Crônica LXXXVII/2026]

