
Ele me mostrou um arquivo com dezenas de avisos fúnebres (Imagem criada por IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Já tive uma coleção de selos postais com a temática “Escoteiros” e também de cartões postais. Houve ainda tampinhas de refrigerante com figuras da Disney, bloquinhos de anotações e prendedores de gravata. Um dia, desfiz-me de todas elas.
Depois, a partir de um enfeite que ganhei da minha irmã Lúcia, passei a colecionar galinhas-d’Angola, comprando-as como lembrança das cidades que visitávamos.
Nossos amigos, ao verem a “granja”, começaram também a nos presentear com objetos afins: rodinho de pia, pano de prato, quadrinhos, todos ilustrados com as “fricotes”. A coleção cresceu tanto que faltou espaço para o aviário. Hoje restam apenas alguns exemplares de galinhas “tô fraco”, empoleirados sobre a geladeira, armários, estantes e micro-ondas.
As coleções atuais — embora eu não adquira peças com frequência — são bonecos do Batman (meu herói favorito) e bernunças, figuras do folclore catarinense que me chamaram atenção desde a primeira apresentação de Boi de mamão a que assisti.
As bernunças são de cerâmica e resina, criadas por artistas conhecidos e desconhecidos. Inclusive por mim, que não sou artista, mas amassei barro e dei forma ao bicho.
Um analista amigo disse que minhas coleções refletem minha personalidade: “Cada coleção parece mostrar uma faceta diferente da sua identidade: o escoteiro, o apreciador de artesanato, o guardião da cultura local, o fã de super-heróis. São pontes entre tradições locais (bernunça) e universais (Batman).”
Se tu diz…
Conheço muita gente que coleciona coisas: bibelôs de coruja, elefantes indianos (amuleto), rolhas de vinho, bonecas Barbie, roupas, sapatos (lembro de Imelda Marcos e seus mais de três mil pares), entre outras “normais”.
Mas há também coleções estranhas. Em uma rápida busca na internet, sem me aprofundar, encontrei pessoas que colecionam placas de “não perturbe”, objetos furtados em hotéis e restaurantes, colherinhas de café, discos de vinil, calcinhas (Oi, Wando!), autógrafos de gente famosa ou quase, bonecas sexuais e muito mais.
Quem me inspirou nesta crônica foi um conhecido que, ao me informar sobre a missa de sétimo dia de um colega comum, mostrou-me no WhatsApp um arquivo contendo apenas mensagens com convites para velórios, enterros e missas de sétimo dia.
— Essa é a minha homenagem a eles. Foi através dessas mensagens que soube que todas essas pessoas morreram. Algumas eu não conheci, mas eram amigas de amigos meus. É o meu jeito de lembrar delas.
[Crônica LXXI/2026]
