06 de dezembro de 2025

Entre ferraduras e livros: memórias de amigos secretos

Por José Carlos Sá

Em uma das festas de amigo secreto, uma das participants ganhou uma ferradura e um molhe de capim (Imagem gerada pelo Iago, meu assistente IA Copilot)

O Jornal da CBN, na edição de sexta-feira, trouxe uma matéria sobre a brincadeira de “amigo secreto”, tão comum nesta época pré-natalina.

Logo no início da apresentação, questionei a relevância do assunto. Na minha opinião, seria mais apropriado para a programação de fim de semana, já que naquele dia havia temas jornalisticamente mais importantes, como a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que pode provocar um efeito dominó, inclusive nas próximas eleições.

Voltando ao tema: a reportagem começou comentando um vídeo divulgado por uma “influencer” que viralizou. Ela contou que, com os amigos, fizeram um “amigo secreto express”. Reuniram-se em um shopping, estipularam 40 minutos para comprar o presente — valor mínimo de R$ 100 — e quem se atrasasse teria que pagar uma rodada de sorvete para os demais.

Para dar respaldo à seriedade do assunto a CBN, além de outros organizadores de amigos secretos, foi ouvido o gerente executivo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, Daniel Sakamoto. Ele citou pesquisa da entidade apontando que “60 milhões de brasileiros devem participar de pelo menos um amigo secreto até o fim do ano, número que corresponde a 36% dos consumidores”, movimentando cerca de R$ 6,7 bilhões no comércio varejista.

São números expressivos, que justificam economicamente a inserção do tema naquele radiojornal tão importante.

Depois da reportagem, comecei a rememorar minhas próprias experiências — e as de pessoas próximas — com a brincadeira que conheci pelo nome de “amigo oculto”.

Uma das lembranças mais antigas foi uma iniciativa da turma do colégio da minha irmã Cida. Resolveram fazer um “Inimigo Secreto”, que nada mais era que um sincericídio (embora na época não tivesse esse nome). Para exemplificar: a menina considerada a mais aborrecida da classe ganhou da inimiga secreta uma ferradura e um molhe de capim!

Já tirei, em sorteios, nomes de colegas de trabalho de quem eu não sabia nada. Nessas ocasiões, precisava fazer uma verdadeira investigação para descobrir características da pessoa e acertar no presente.

Também participei de amigos secretos em família em que nenhuma das crianças gostou do presente recebido…

Em outra ocasião, meu amigo oculto era conhecido demais — e justamente isso dificultou a escolha. Por sorte, dei um livro que, para minha surpresa, ele gostou. Das modalidades de festa, a que não gosto – menos que todas as outras – é aquela do sorteio na hora.

Na faculdade de Turismo, minha turma inventou um amigo secreto fora de época, na Páscoa, com a intenção de trocarmos ovos de chocolate. Chamou-se “Ovo Secreto” e foi sensacional.

Mais um episódio: em determinado ano decidi não participar da brincadeira natalina na firma. A organizadora da festa não se conformou com minha negativa e tentou me convencer de todas as formas. Aleguei várias razões, mas ela insistia. Até que apelei: “O Natal não tem importância nenhuma para mim. É uma festa comercial. E outra: Jesus Cristo não nasceu em 25 de dezembro!” Resultado: a confraternização foi cancelada naquele ano.

Este ano, estou apenas como espectador dos preparativos da festinha, em petit comité, das amigas da Marcela. Elas adotaram uma metodologia curiosa: cada uma escolheu uma cor e presenteará as outras com presentes daquela tonalidade. Os de Marcela são todos puxados para o azul. Estou curioso para ver as fotos da festa, que será em breve.

Ah, e este ano também não estou participando de amigo secreto — ou oculto — nenhum.

[Crônica CCLXVIII/2025]

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Amigo oculto Amigo secreto Cida Natal Páscoa Rádio CBN 

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