Uma rua, um nome, uma lembrança. E um leitor que aparece para agradecer.
Apesar de conviver com a internet desde o nascimento dela, muita coisa ainda é, para mim, um mistério inescrutável nessa “rede mundial de computadores interligados”, a nossa WWW. Sempre penso nisso quando recebo a manifestação de um eventual leitor do blog que comenta um post feito há anos — e do qual eu já nem me lembrava.
Já recebi cumprimentos por ter resgatado personagens que estavam esquecidos, mesmo que visíveis. Parece confuso, mas não é. Vou dar um exemplo.
O escritório que fazia a contabilidade da Banzeiros Comunicação e Consultoria (sim, já fomos um conglomerado de comunicação — feito os Diários Associados, a NBC e a Globo!) se mudou, e o novo endereço tinha o nome de um governador de Rondônia de quem eu nunca tinha ouvido falar. Pesquisei e fiz um post sobre aquela quase esquecida personalidade.
Algum tempo depois, recebi um e-mail de um filho do ex-governador agradecendo a citação ao pai no blog. Mais recentemente, fiz uma campanha para que a Prefeitura colocasse uma placa com o nome da rua onde moro, que homenageia um deputado estadual de Santa Catarina. Depois da colocação da placa, fiz um post contando a história do homenageado. O filho dele também entrou em contato, agradecendo.
Mas também tem quem me xingue, me corrija ou discorde. Acato, com humildade, todas as manifestações e as publico — exceto quando xingam minha mãe. Aí respondo em particular, descendo ao nível do interlocutor, mas sempre agradecendo por ter lido o blog e ainda dedicado tempo para contestar.
Em um texto que escrevi às vésperas das eleições de 2022, resgatei um fato ocorrido na década de 1970, quando eu terminava o ensino fundamental — que naquele tempo se chamava ginasial. Um dos professores se candidatou a vereador e pediu aos alunos que levassem seus ‘santinhos’ para entregar aos pais.
Um dos colegas trouxe a propaganda de volta, dizendo que o pai recusou, afirmando que políticos não prestavam. O professor recebeu o santinho de volta, respirou fundo e disse ao aluno: “Então ele [o pai] que se candidate!” A neta desse professor enviou um e-mail emocionado, agradecendo a menção.
A interação mais recente foi com a neta de um profissional que foi diretor e trabalhou por vários anos na Usina Hidrelétrica Maruim, reativada no ano passado. Na primeira vez que postei sobre a usina, a leitora escreveu para identificar o avô numa foto histórica, sem legenda.
Agradeci a gentileza, pedi fotos do avô e, se possível, histórias. Fizemos amizade, e na reinauguração da usina usei o material que ela enviou.
Esses são apenas alguns exemplos das interações que acontecem — nem sempre no momento da publicação, diferente das postagens no Facebook, onde a reação é imediata… ou não acontece mais.
E o Banzeiros segue indo em frente, com o incentivo dos leitores.
[CCXXVIII/2025]

