Vinte anos de textos que navegaram entre a imprensa, a política e o coração.
Há vinte anos escrevo, com relativa regularidade, textos que publico sob o título geral de Banzeiros. O aniversário foi em julho, mas como não sou bom com datas — mal lembro do meu próprio — a efeméride passou batida.
Comecei com uma coluna de tópicos variados, abordando múltiplos assuntos, com foco principal na Imprensa. Daí o pretensioso slogan que criei: “Onde se comenta o que foi e o que não foi notícia”.
Ficava (e ainda fico) indignado ao ler matérias sem as informações básicas, releases publicados sem revisão, cheios de erros de origem ou, pior, com conteúdo completamente inútil e irrelevante.
A primeira coluna foi publicada no portal RO-Notícias, do saudoso amigo Tadeu Itajubá, que, num gesto de confiança, além de me ceder espaço, me deu acesso direto para postar o que quisesse no site. Apesar da animosidade que acredito ter atraído, a coluna passou a ser reproduzida em outros portais, até chegar ao Rondoniagora, que era, à época, uma referência na imprensa de Porto Velho (RO).
Escolhi o nome Banzeiros pelo significado que carrega na Amazônia: “Agitação branda ou violenta das águas. Confusão”, conforme define o Glossário do Linguajar Amazônico, de Eduardo Constantino Borzacov (Grafiel, Porto Velho, 2004). Além disso, é uma homenagem póstuma ao amigo e poeta Bahia, que assinava uma coluna intitulada Revertendo Banzeiros.
Foi também ao Tadeu que recorri quando pensei em criar um blog e me tornar independente dos sites que hospedavam a coluna. Mesmo reconhecendo minha dificuldade com assuntos ligados à internet, ele me indicou a plataforma Blogspot, dizendo que era autoexplicativa. Migrei para lá em 2006.
No blog, mantive por um tempo o formato de notas curtas, separadas por asteriscos. Depois, passei a fazer vários posts ao longo do dia, com temas diversos — sempre falando sobre imprensa, política, assuntos aleatórios e coisas pessoais.
Nestes vinte anos de Banzeiros, conquistei amizades, solidifiquei antipatias e arranjei um casamento. A Marcela era leitora da coluna, e eu, fã dos textos dela — mas não nos conhecíamos pessoalmente. Um dia, comentei um artigo que ela escreveu para o Diário da Amazônia, reproduzido no site Overmundo, e ela me mandou um e-mail agradecendo. Daí…
Mais recentemente, deixei a trincheira de onde observava a imprensa e a política e passei a publicar crônicas, contos, resenhas literárias e comentários sobre coisas inusitadas. As críticas à imprensa e aos políticos ainda aparecem, mas com bem menos frequência.
A idade mostrou que há batalhas que não se vencem. Aprendi também uma oração que pede a um poder superior “serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar”. Então, que assim seja.
Viva o Banzeiros.
[Crônica CCXXVI]

