Sou adepto praticante da convenção social e cultural de desejar “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” — como forma de cortesia e demonstração da boa educação que minha mãe me deu.
Ontem, ao voltar do trabalho, o JP ficou em dúvida sobre como me cumprimentar. O relógio já marcava 18h20 e, tecnicamente, seria “boa noite”. Mas o céu ainda estava claro, com vestígios de luz solar, então podia ser “boa tarde” também. Ele optou por um híbrido: “Oi!”, seguido da confissão de que não soube o que dizer.
Expliquei que sigo o que aprendi: das seis da manhã ao meio-dia, é “bom dia”; do meio-dia às seis da tarde, “boa tarde”; e a partir daí, “boa noite”. Lembrei que, às vezes, cumprimento alguém com “boa tarde” e ouço como resposta que ainda é “bom dia” — porque a pessoa não almoçou.
Perguntei ao João (e a pergunta ficou sem resposta): se o período da tarde só começa após o almoço, então o “boa noite” só deveria valer depois de dormir?
Essas convenções sociais servem, como já disse, mais como demonstração de cordialidade do que como precisão horária. Muitas vezes saúdo alguém e recebo um grunhido como resposta — quando não sou solenemente ignorado.
Nesse último caso, fico mal. A Marcela já me disse mais de mil vezes para abandonar esse sentimento, mas não consigo.
Continuo abrindo o sorriso e espalhando bons dias, boas tardes e boas noites — sem importar se me respondem (preferia que respondessem), se almoçaram ou se o sol teima em brilhar quando os ponteiros dizem que ele já devia estar em outro hemisfério terrestre.
[Crônica CCXII/2025]

