02 de agosto de 2025

Doces & Golpes

Por José Carlos Sá

Golpistas estão cada vez mais audaciosos. Agora montaram call centers (Imagem gerada por IA Firefly)

A polícia paulista descobriu e desmantelou uma central de golpes em Guarulhos. Os bandidos alugaram um prédio onde funcionavam sete “empresas”, cada uma especializada em um tipo de golpe para enganar pessoas.

O trabalho era bem estruturado: divisão de tarefas, roteiro de abordagem com orientação na manipulação das vítimas, metas e prêmio por produtividade. Cinquenta e cinco pessoas foram presas, e a informação é de que o esquema vinha operando havia meses.

Os golpistas eram “especialistas” em renegociação de juros de empréstimos consignados, financiamentos bancários e ofereciam também empréstimos falsos, além da “regularização” da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Após prometerem resolver os problemas dos clientes, cobravam uma taxa e recolhiam dados pessoais que alimentavam outros golpes.

Segundo o portal Veja São Paulo, os suspeitos, em nome de quem as empresas estavam registradas, possuem diversos boletins de ocorrência contra eles.

Crime Docemente Organizado

Estou comentando isso porque, nos últimos dias, aumentou o número de ligações que recebo de supostos serviços de atendimento ao cliente de instituições diversas — todos alegando que houve uma transação suspeita na minha conta. Desligo o telefone assim que percebo do que se trata.

Já recebi chamadas do Banco do Brasil, Santander, Caixa Econômica e Itaú — entre outros. Empresas com quem não tenho qualquer relação comercial. Nem de amizade, diga-se.

Fiz um levantamento superficial na memória do meu celular e contei 41 ligações entre 1º de julho e 1º de agosto. Em um único dia, foram cinco tentativas de golpe sur moi (“sobre mim”, pra ti que não fala francês).

Essa contagem refere-se apenas às ligações e pelo WhatsApp. Há também mensagens por SMS e e-mail, mas essas são solenemente ignoradas.

Nesta semana, recebi uma ligação via WhatsApp, com a identificação: “Fulana de Tal Doces & Bolos”. Atendi. A pessoa se apresentou: “Seu José? Aqui quem fala é Isabelle, da Central de Atendimento ao Cliente do Bradesco. Identificamos uma movimentação suspeita de trinta mil reais na sua conta…”

Enquanto ela falava, percebi várias vozes ao fundo. Presumo que minha interlocutora estava em um “call center do crime”, como aquele desbaratado em São Paulo.

Fui direto e mal-educado. Interrompi a funcionária: “Isabelle, ou seja lá quem for, obrigado por avisar. Posso pedir um favor? (não esperei resposta) Me deixem em paz!”

Meu pedido de sossego não foi atendido. Continuo recebendo tentativas de golpe, das quais tenho escapado. Não sei até quando. 

[Crônica CLXXIII/2025]

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Estelionato Golpes Guarulhos Polícia Portal Veja São Paulo 

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