Meu primeiro contato com esse “fenômeno” veio através de uma matéria repercutindo postagens no e sobre a festa de aniversário de três anos de um boneco. A celebração foi promovida por uma mulher adulta e contou com a presença de outras mulheres adultas e seus respectivos bebês. Destaco mulheres adultas, porque, quando eu era criança, participei de aniversários de bonecas das minhas irmãs, onde quase tudo era faz-de-conta.
Naquele momento, considerei o aniversário como mais uma das tantas excentricidades que vejo diariamente. Eu mesmo coleciono bonecos do Batman, para não me afastar muito da minha bolha.
Mas ontem, outra matéria sobre o tema capturou minha atenção. O site da noticiava que o deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO) apresentou um projeto de lei para “multar em até R$30 mil pessoas que utilizem bonecas hiper-realistas, conhecidas como bebês reborn, para conseguirem benefícios assegurados a pessoas com crianças pequenas, como prioridades em filas”.
À surpresa de ver que o tema já havia chegado ao parlamento brasileiro, juntei outra: descobrir que a deputada Rosângela Moro (União Brasil-SP) também está preocupada com o assunto e foi ainda mais longe, dedicando sua atenção às mães de reborns. Ela quer que o SUS (Sistema Único de Saúde) ofereça apoio, pois, segundo a parlamentar, “é uma questão de saúde mental”, declarou à coluna de Mônica Bergamo na Folha.
A deputada disse mais: “Não sou contra as pessoas que colecionam, brincam com esses bonecos, mas chegamos ao ponto em que estão pedindo licença-maternidade, assento preferencial no ônibus”.
Além disso, li que dois pesquisadores da Universidade de Toronto publicaram um estudo revelando que “a prática de brincar e ficar apegado a bebês nenucos [reborn] na idade adulta está profundamente ligada a necessidades emocionais”.
Os investigadores sugerem que brincar com bonecas na vida adulta faz parte de um caminho complexo para “satisfazer necessidades psicológicas profundas”, proporcionando conforto, estimulando a autoexploração e contribuindo para o bem-estar geral, informa o portal português , que abriu a matéria sobre os bonecos de uma forma bem legal: “Não chora, não faz cocó, não se mexe, não expele maus cheiros, não dá trabalho. Para quem quer ser pai ‘ao faz de conta’, parece ser uma ótima opção”.
Como não vou — e nem posso — me aprofundar no assunto, por absoluta ignorância dos segredos da psique, fico por aqui no meu estranhamento.
[Crônica LXXX/2025]




