
“Decifra-me ou mordo-te” – Argus Máximus, quase uma esfinge (Colagem sobre imagem gerada por IA Designer/Microsoft / BN JCarlos)
O modus operandi dele já é conhecido. Quando chega um desconhecido, late muito e rosna ameaçador; depois, se é uma conversa mais demorada, ele fica por ali mendigando atenção. Se o desavisado visitante o encara e fala palavras doces, retribuindo o olhar pidão, ele pula no colo e se estabelece.
Já se o estranho é um prestador de serviços, por exemplo, que não se senta e que fica andando prá lá e prá cá, ele se deita em um local estratégico e fica assuntando o vai e vem com os olhos semicerrados, bem relaxado, fingindo estar dormindo. E é aí que mora o perigo.
É nessa fase de aparente hibernação que ele ardilosamente fica esperando que o estranho incauto, em um gesto de despedida, faça menção de afagar a cabeça dele. Com uma agilidade inesperada, ele dá um bote – qual uma cobra cascavel – em direção à mão que pretende acariciá-lo para morder. A agilidade de quem faria o cafuné precisa ser maior que a lepidez dele, sob pena de ficar sem um dedo.
Sempre aconselho quem chega aqui pela primeira vez para ter cuidado com o cachorro, acrescentando aquela sabedoria popular que diz: “quem vê cara não vê coração”.
Este texto é dedicado, claro, ao Argus Maximus, cujo nome científico foi modificado para Canis lupus familiaris crotalus, em homenagem às vítimas e quase vítimas de sua rabugice.
[Crônica LXXXI/2025]
