Marcela e eu mergulhamos, quase em uma maratona, nos oito episódios da série argentina “O Eternauta”, na Netflix. A única referência que tínhamos era a recomendação favorável da nossa crítica de cinema predileta, a jornalista Isabela Boscov.
A trama, ambientada na região de Buenos Aires, remete à experiência que vivemos há poucos anos durante a pandemia de Covid-19. Uma estranha névoa cobre a cidade, acompanhada de uma brusca queda de temperatura, matando quem estiver exposto nas ruas.
Os sobreviventes do núcleo principal da história começam a entrar em conflito. Tano (vivido pelo ator uruguaio César Troncoso), dono da casa onde o grupo está quando o caos inicia, usa a situação para impor sua vontade, priorizando sua própria sobrevivência e a de sua esposa, além da preservação do imóvel.
Juan Salvo, personagem de Ricardo Darín, parte em busca da ex-esposa e da filha e, ao longo de sua jornada, encontra outros sobreviventes que reproduzem o mesmo comportamento egoísta de Tano, de quem é amigo há quase 40 anos.
O roteiro, adaptado de uma história em quadrinhos de 1957, expõe muitas situações que já conhecemos de grandes tragédias: pessoas pensando apenas em si, deixando aflorar seus instintos mais primitivos para garantir a própria sobrevivência – ainda que isso custe a vida de outros.
Embora os críticos especializados, repetindo palavras do diretor e criador da série, defendam que a trama mostra a solidariedade entre aqueles que tentam se salvar, na minha visão, o que realmente sobressai é o egoísmo e o “salve-se quem puder”.
Recomendo a série pela força da história, pelos cenários bem construídos e pelas atuações marcantes. Estamos aguardando ansiosamente a segunda temporada, que já deve estar em produção.
[Resenha XI/2025]


