Eu estava no meu estado normal de alheamento quando “o ilustre passageiro, o belo tipo faceiro, que o senhor tem a seu lado…”, como dizia um antigo reclame de remédio, falou alguma coisa comigo. Pedi desculpas e disse que não havia entendido o que ele falara.
“Comentei o nome estranho dessa igreja aí”, e apontou para a janela do ônibus. Estávamos parados em frente à “Igreja Fé e Força”, na rua Luiz Fagundes, em São José. Eu respondi que era novidade para mim também, pois da última vez que havia passado ali existia uma loja especializada em narguilê.
– Até pouco tempo, disse meu companheiro de viagem, havia poucas denominações de igrejas evangélicas. Tinha Assembleia de Deus, Batista, Metodista, Adventista… Aí apareceu a Igreja Batista Filadélfia. Parece coisa dos Estados Unidos.
– O senhor já viu uma igreja que chama “Bola de Neve Church”?
– Como é?
– Bola de Neve Church, Igreja Bola de Neve.
– Não, nunca ouvi falar… Bola de Neve? Será por que distribuem sorvete para os fiéis? Hahahaha…
Essa conversa que aconteceu no início da semana passada me acompanhou na viagem que fiz a Minas Gerais, onde estive nos últimos dias, e passei a reparar os nomes de igrejas muito diferentes das mais conhecidas.
Vou reproduzir algumas denominações evangélicas que observei. Não fiz pesquisa, apenas anotei os nomes pintados nos templos por onde passei:
Igreja Cidade Viva; A Palavra de Deus; Paz e Vida; Igreja Evangélica da Vitória; Assembleia de Deus Fonte da Salvação; Igreja Pentecostal Varões de Guerra; Assembleia de Deus Missão; Igreja Internacional Plenitude de Deus, IJade (Igreja Evangélica Jardim de Deus), We Are Reino (Igreja do Reino); Igreja Apostólica do Trono de Deus.
Essas são as denominações que vi das janelas dos ônibus e dos uber (deixei no singular, pois o plural de Uber lembra outra coisa) em que estava embarcado e nos meus caminhos não apareceu nenhuma Bola de Neve.
[Crônica CLXIII/2024]

