Tenho verdadeira birra de pequeno empreendedor que vive da birosca dele – seja de que ramo for – e desfaz do freguês ou do potencial cliente. Eu fico injuriado.
Tenho vários exemplos próprios, mas vou me ater a dois. O primeiro ocorreu há algum tempo e me deixou traumatizado.
Foi assim: eu fui escalado de última hora para representar o chefe em um evento no interior do Estado (eu morava em Rondônia), e o motorista iria passar na minha casa logo depois do almoço para pegarmos a estrada.
Eu sabia que não tinha nenhuma camisa de mangas longas limpa em casa, então parei numa loja às 11h50 para comprar uma. Estacionei o carro de qualquer jeito, fui até a loja e, quando cheguei, o dono fechou a porta na minha cara! Pedi pra ele me vender uma camisa, mas ele disse pra voltar depois do almoço, trancou tudo e virou as costas. Fiquei lá, parado, olhando pelo vidro ele se afastar. Que frustração!
Comprei a camisa na loja ao lado e nunca deixei de falar mal desse cara.
“Não estamos abertos”
Hoje cedo, ao retirar o carro da garagem para irmos à academia, vi que um dos pneus estava baixo. Fui a uma borracharia aqui perto, onde costumo levar o nosso carro quando ocorre esse tipo de problema.
Cheguei lá às 7h15, o cara já tinha aberto as portas e estava retirando a corrente que fecha a calçada. Desci do carro e antes que eu falasse alguma coisa, ele disse: “Só abrimos às 7 e meia”.
Eu não entendi e falei: “acho que o pneu está furado…”
Ele repetiu: “Só abrimos às 7 e meia”.
Fiquei olhando sem graça e já ia entrar no carro para procurar outra borracharia, quando ele mudou de ideia e veio olhar o estrago. Sem falar nada, mas com uma não-disfarçada má vontade, buscou o macaco “jacaré” (gosto do nome da ferramenta), retirou a roda, fez o serviço e só falou quando perguntei o preço.
Assim não dá. Pelo menos para mim.
[Crônica CXLIV/2024]

