A primeira vez que li A revolução dos bichos, por volta de 1976, foi após ler Fazenda Modelo, Novela pecuária, do Chico Buarque de Holanda. A obra do Chico é uma alegoria ao Brasil da década de 1970. A Revolução dos Bichos é a inspiração não disfarçada da Fazenda Modelo.
Os bichos são diferentes nas duas obras, mas a situação que vivem em ambas nas tentativas de libertação do autoritarismo são iguais e acabam da mesma forma.
Na Revolução dos bichos (Editora Gazeta do Povo – Porto Alegre/2021), George Orwell, um comunista utópico, sonhador, acreditava nos ideais de Karl Marx e Lenin e se decepcionou com os rumos tomados na União Soviética na Revolução Russa, em que o socialismo buscado pelos seus líderes se transforma em um governo autoritário e em um estado extremamente burocrático. O governo revolucionário vai adotando todas as práticas do governo anterior que foi derrubado e que eram condenadas.
Na Fazenda Solar não foi diferente. Os bichos se revoltaram contra os maus tratos e os humanos foram expulsos. No primeiro momento, todos os animais tinham os mesmos direitos. Com o decorrer dos dias, os porcos assumem a direção do local e, pouco a pouco, vão implantando um sistema de terror e opressão. Há racha entre os líderes e o expurgo daqueles que não concordam com a nova ordem das coisas.
Ao ler o livro não é difícil substituir os nomes dos porcos que passaram a mandar na fazenda Solar ou Fazenda dos Animais por aqueles que comandaram a antiga URSS: Lenin, Stalin ou Trotski.
É dessa obra a máxima repetida em outros contextos que diz: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.
Tendo o sonho do socialismo se tornado fumaça há tempos, o livro ainda é bem atual, pois há vários povos no mundo que pensam estar elegendo seus governantes para conduzir os compatriotas para uma melhor qualidade de vida e o que eles fazem é usar a máquina pública em benefício de uma restrita casta composta por parentes e amigos.


