Hoje, 31 de outubro, Dia Nacional do Saci Pererê, também é comemorado Dia das Bruxas. Enquanto a lenda do Saci é brasileira, possivelmente surgida entre os indígenas na Região das Missões, no Sul do país e se espalhado para outros rincões, a comemoração do Dia das Bruxas foi importada, comercialmente, dos Estados Unidos, na herança cultural dos imigrantes europeus, que a praticavam desde os celtas há mais de quatro mil anos.
Nas localidades colonizadas ou que receberam imigrantes açorianos no Sul do Brasil, as lendas sobre bruxas traziam a forte influência do Tribunal da Inquisição, que esteve atuante na Europa e nos países da América, colonizados por Espanha e Portugal, entre os séculos XV e XIX. A vinda dos açorianos para o Brasil começou em 1617 para povoar o Rio Grande. Essa imigração foi reforçada em 1748. Na Europa o Tribunal da Santa Inquisição estava no auge da atuação e, por isso, qualquer mulher que tivesse uma conduta que fosse “suspeita” era denunciada aos Visitadores, que representavam do Tribunal e percorriam o interior do país na caça às bruxas e aos hereges.
Na Ilha de Santa Catarina, os estudiosos da cultura açoriana anotaram a crença na existência das bruxas, que espalhavam mau-olhado nas crianças, plantas e animais. Havia as orações para espantar as bruxas e rezas para tirar o “embruxamento” das possíveis vítimas dos quebrantos.
As minhas relações com as bruxas são mais amenas. Tenho como referências bruxas más e atrapalhadas, que conheci na literatura infantil – Branca de Neve e os Sete Anões e Rapunzel – e nas revistinhas de histórias em quadrinhos da Luluzinha e do Pato Donald. Na primeira, a bruxa Meméia, que era aprendiz de bruxa má, aluna da bruxa Alcéia, que é tia dela. Por mais que a Meméia se esforçasse para fazer maldades, ela fazia boas ações e era repreendida pela tia.
Já a Maga Patalógica e a Madame Min perseguiam o Tio Patinhas para conseguir a moeda “Número 1”, ingrediente insubstituível de uma poção mágica. Elas sempre fracassavam em suas artimanhas.
Desde a nossa primeira visita a Florianópolis, em 2012, comecei a ler sobre a influência cultural açoriana e cheguei às bruxas. Temos em casa três representações do arquétipo das bruxas, que são muito diferentes daquelas que pesquisadores como Franklin Cascaes imaginaram. Abaixo, elas.
Fico com a velha e batida frase do dito popular galego, que diz: «No creo en brujas, pero que las hay, las hay»…







