09 de outubro de 2021

Livros: emprestar ou não

Por José Carlos Sá

Mário de Andrade não emprestava livros (Foto Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da USP)

Na data (9/10) em que se comemora 128 anos do nascimento de um dos maiores autores, críticos literários, pesquisadores e intelectuais brasileiros, Mário de Andrade, fico sabendo que ele – entre outras manias – não emprestava livros de jeito nenhum. Um outro hábito relacionado a aquele, é que quando alguém ia à casa dele consultar os livros na biblioteca, não podia devolver a obra à estante. Deveria deixar sobre uma mesa para que no dia seguinte um funcionário recolocasse o livro no lugar. A explicação: “-É que, uma vez, alguém tirou um livro, pensou que o repusera acertadamente, e eu levei mais de um ano para localizá-lo, o raio da obra me fazia uma falta danada na hora, eu precisava dela para um trabalho que estava fazendo. Tive de ir consultá-la na Biblioteca da cidade, tendo-a em casa, debaixo do meu nariz, não é um absurdo? Desde então, por uma questão de método, só o Zé Bento guarda tudo o que fica espalhado por aí.”

Mesmo com o prejuízo de muitos livros que emprestei e não retornaram, não me corrijo e, se me pedem com jeito, empresto livros com todo prazer, às vezes até acompanhado por um resumo oral do conteúdo. Muitos livros não sei para quem emprestei e, estes que não devolveram, podem ficar com as consciências tranquilas. Já para aqueles que emprestei com recomendações e as pessoas não devolveram, saibam que mesmo não cobrando, todos os dias envio emissões mentais que provocam coceiras no corpo dos inadimplentes.

Livros de pesquisa que não empresto (mais) a ninguém (Reprodução JCarlos)

Tenho dois casos de livros que emprestei e não voltaram e que eu precisava para fazer pesquisas. Um deles é o Migrantes Amazônicos – Rondônia, a trajetória de uma ilusão, de Francinete Perdigão e Luiz Basségio. Fui cobrir o lançamento do livro e ganhei o autógrafo dos autores. Emprestei para um consultor que não devolveu. Comprei outro exemplar, que também foi emprestado e dado como perdido. Anos depois encontrei a publicação em uma livraria do aeroporto antigo de Rio Branco (AC). Esse eu não empresto mais.

A mesma saga vivi com o livro História Regional: Rondônia, dos professores Marco Teixeira e Dante Fonseca. Dessa obra estou no quarto exemplar. Os outros três, que emprestei a não sei quem, foram entregues para Deus.

Lembrei de outra situação. No curso de Turismo, uma turma de colegas precisava fazer uma apresentação sobre índios. Não sei como souberam que eu tinha o livro Desbravadores, do professor Vitor Hugo. Insistiram tanto que emprestei os dois volumes, mas não os perdi de vista e pedi de volta os exemplares assim que a apresentação foi encerrada. Um companheiro pediu os volumes para levar para casa, para ler. A recusa foi imediata, pois eu sabia que não conseguiria outros para recomprar.

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Dante Fonseca Francinete Perdigão Luiz Basségio Marco Teixeira Mário de Andrade Vitor Hugo 

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