Quando governador, Jerônimo Santana baixou um decreto normatizando a prestação de contas das diárias por viagens. Aonde íamos, levávamos um formulário que era assinado pelo prefeito ou outra autoridade do município visitado. Geralmente procurávamos o prefeito, que nunca descansa.
Mesmo não recebendo as diárias antes da viagem, como determina a lei, viajávamos e prestávamos conta. Um dia, um funcionário da Casa Civil – a que o Decom estava administrativamente subordinado – me procurou e disse: – Zé, o processo de sua diária foi glosado! (Ensina o dicionário que glosar é “a retenção de pagamentos nos contratos administrativos”)
Perguntei por quê. – A controladora quer que você justifique a razão por que a viagem foi no final de semana.
Não esperei passar a raiva. Li o despacho da controladora, peguei um papel coloquei na máquina de escrever e saiu mais ou menos isso:
“Eu sou um funcionário e cumpro ordens. O diretor faz a escala de quem deve acompanhar as viagens do governador. Eu não peço para viajar, pois não recebemos diárias e temos que nos humilhar, pedindo aos prefeitos combustível para retornarmos e para pagarem o hotel para pernoitarmos. E se viajamos nos finais de semana, em que poderíamos ficar com nossas famílias, é que o chefe de gabinete, responsável pela agenda do governador, marca compromissos nas sextas, sábados e domingo”.
Assinei o papel e pedi ao colega da Casa Civil para que anexasse ao meu processo. Ele leu e perguntou se eu tinha certeza. Respondi que sim.
No dia seguinte a controladora foi ao Decom para saber quem eu era. Sem falar nada, ela liberou a diária, que recebi meses depois.

