Tive um colega que contou estar ele transando com uma vizinha da estância (vila, bom-será, cortiço). Enquanto ele suava na função, ela comia um biscoito cream cracker completamente alheia ao ato.
Lembrei-me disso ao ler um dos contos do livro Matriuska (Editora Iluminiras/2019), de Sidney Rocha. Em “zero-cal”, assim mesmo em minúsculas, Camila, a namorada do narrador não tem orgasmo no ato sexual, mas lambia os lábios e deixava a saliva inundar a boca, lustrando os dentes.
Em outro, o encontro é em um café e a mulher esvazia a bolsa dos objetos que carregava: fotos de documentos, um brinco sem par, um cartão de visitas com números telefônicos em Manaus, o retrato do “filho da *uta”, um absorvente, um sachê de sândalo – para espantar o mau olhado -, duas carteiras de estudante vencidas… E por aí vai. O que me chamou a atenção foi o “o espelhinho onde só cabia o reflexo da boca, o batom um corpo de ataúde com dourações feitas à mão”.
Livro de leitura rápida e, como disse o apresentador do autor, Marcelino Freire, são contos curtos e “assustadores”. Está aqui: https://bit.ly/3bDKzX8
Um dia a menos na quarentena…

