Estava indo com o saudoso amigo Nahim Aguiar para o sítio dele às margens do rio Caracol, no distrito de Jacy-Paraná, em Porto Velho. Por uma daquelas coincidências explicadas pela “Lei de Murphy”, o nosso carro foi parado no posto da Polícia Rodoviária Federal no ’48’ (Km 806) da BR-364, sentido Rio Branco – AC e, claro, a CNH do Nahim estava vencida há 31 dias – um a mais que a tolerância da lei permite.
Descemos do carro e o inspetor começou a fazer a repreensão regulamentar e o Nahim argumentava: “Era um dia só, na segunda-feira regularizo…” O policial iniciou ao preenchimento do talão de multas, em três vias, com as folhas de papel carbono entre elas. Era um jovem – talvez recém-formado – e estava nervoso (primeira autuação? Penso isso hoje) e o Nahim ponderava: “Eu não vi que tinha vencido!” E o patrulheiro impassível, tentando preencher o formulário há uns 15 minutos.
Acho que não aguentando tanta choradeira do Nahim, o agente disse; ” Se eu liberar o senhor, estarei prevaricando!” [É por isso que acho que era um novato, essa palavra é própria da academia de formação]. No entanto, não oferecemos qualquer sugestão de propina, era só no papo. Ao invés de continuar calado, comentei: “Na minha terra prevaricação é outra coisa!”.
Por causa da graça, ou da falta de humor do policial, ficamos perto de duas horas no posto da PRF, com o seu Menino preenchendo, errando e rasgando as autuações, até que acertou e ficou livre de nós. Mas isso após confirmar que a minha CNH estava “em dias” para eu “conduzir a viatura”.

