Há alguns dias li uma matéria da BBC Brasil (https://goo.gl/F4Q6uR) sobre um carteiro de quem os cachorros gostam. Lembrei do tempo em que fui carteiro, meu primeiro emprego: Estava entregando correspondências (não eram cartas pessoais, mas cobrança de banco, intimação de cartório, cadernos de imposto de renda – lembram? – e catálogos telefônicos. Só coisa boa!) no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte.
A casa tinha um muro baixo com grade e um portãozinho de ferro. A campainha ficava lá dentro, perto da porta. Bati palmas várias vezes, sem sucesso. Avaliei o terreno, não vi perigo e resolvi cumprir meu dever: entregar a correspondência. Abri o ferrolho do portão e avancei rumo à campainha. Quando ia tocar no botão, vi, deitado no alpendre um pastor alemão dormindo ( ou fingindo). Era do tamanho de um cavalo. Fui recuando e fechei o portão. Bati palmas de novo e o monstro veio, enfurecido, em minha direção. Acho que os latidos dele alertaram a dona da casa que veio me atender.
Perguntei a ela de que valia a campainha lá dentro, com aquele monstro no quintal. Não lembro qual foi a resposta.


