09 de março de 2017

Quem tem caixa dois, tem medo

Por José Carlos Sá

A hora da onça... (Foto Guilherme Munhoz - Ministro Andreazza - RO)

A hora da onça beber água ou leite… (Foto Guilherme Munhoz – Ministro Andreazza – RO)

O ano de 2016 terminou em um clima tenso entre os políticos – com ou sem mandato – devido às delações premiadas que ameaçavam implodir o Congresso, com efeitos colaterais a quem já está fora do parlamento. Em janeiro de 2017 o destino quis que o relator da matéria no STF, ministro Teori Zavascki, morresse em um acidente aéreo. Depois da comoção, com direito a múltiplas teorias da conspiração, a Lava Jato ficou em suspenso. Agora as delações voltaram ao noticiário porque o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, vai entregar ao Supremo Tribunal Federal uma lista de autoridades com foro privilegiado, solicitando autorização para investigá-las.

Citado na delação premiada do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em setembro de 2014, ainda na segunda fase da “Operação Lava-Jato” (já estamos na 38ª fase) o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) vem, desde então, negando o conhecimento da origem do dinheiro que foi doado para a campanha dele em 2010. Nessa terça-feira, 7 de março, a Segunda Turma do STF aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, tornando Raupp réu no processo.

A defesa do senador se diz tranquila, já que o valor da doação foi declarada e as contas de campanha foram aprovadas pelo TRE-RO. Acontece que durante o julgamento, o ministro Celso de Mello entendeu que o parlamentar pode ser punido, sim, se for provada que a origem do dinheiro declarado à Justiça Eleitoral é proveniente do desvio de dinheiro público.

Em Brasília o assunto se tornou o medo ‘daora’, já que o caixa dois é uma instituição ramificada em todo país. Se o pensamento do ministro Celso de Mello prevalecer, não ficará mandato sobre mandato. Ou também pode acontecer de Valdir Raupp ser beneficiado pelo Corpus Spiritu e todos se salvam.