O pequeno restaurante onde eventualmente busco o almoço é tocado por dona Valda (o nome é complicado, eu abreviei), uma matriarca que faz praticamente tudo sozinha. Quando os netos começam a chegar das aulas, a comida já está pronta e eles “abrem os trabalhos” do restaurante.
Quando cheguei hoje, a dona Valda estava agitada. Antes que eu perguntasse, ela contou o susto que havia tomado mais cedo, de um só fôlego:
– O Isaac [neto] chegou, jogou a mochila e gritou: “Vó! O que tem aí para comer?” Tomei o maior susto, eu tinha colocado a carne na panela naquela hora! Pensei: Meu Deus! O almoço não está pronto e os fregueses vão começar a chegar daqui a pouco… Foi só aí que lembrei de perguntar as horas. Wagner! [filho] Quantas horas? Ele respondeu que eram 10 horas. Só aí que me acalmei e fui saber por que o menino chegou mais cedo… Quase que eu morro…
